Filosofia da Mágica - O mágico como si-mesmo

Assuntos Diversos ligados à mágica. Não troque nem peça dicas de produtos ou efeitos aqui.

Filosofia da Mágica - O mágico como si-mesmo

Mensagempor magicobleto » 2/12/2018, 21:00

Olá, venho há um tempo me interessando por uma possível relação entre Filosofia e Mágica. Isso dado, a princípio, pela curiosidade despertada pelo conceito "misdirection" que é imprescindível à mágica. Tenho pensado o mágico como detentor do poder do desvio da atenção de um outro (sendo este mágico ou não), proporcionando em seu "poder-fazer" o desviar de uma lógica que insiste em ser "natural"; a de que as coisas são tal como são, e não podem seguir uma outra lógica que não a que já habitualmente está posta a "mostra" - aqui entendida como encoberta. Entretanto, é claro que há um problema terminológico aí, visto que "misdirection" mais teria a ver com encobrir a "verdade", e não a de por ela a mostra - isso entendendo "encobrir" e "desvelar" de modo vulgar, como é dito cotidianamente. De modo a nos fazer cair em equívocos e continuar sendo como somos, tais e quais, vulgos/não-mágicos - deixando a "vida nos levar", sem intervimos de modo próprio ao qual queremos que o mundo seja.

Apesar desses equívocos dados pelo entendimento vulgar do "misdirection", é possível conceber isso de modo mais original à nível ontológico da compreensão, alcançando a claridade do próprio Ser - entendido aqui em sua própria verbalidade mágica, de pode se fazer de qualquer maneira, tal como o Ser-ele-mesmo criou o mundo, fazendo da forma que o quis (abro aqui a possibilidade de compreensão das mais diversas formas religiosas de se compreender este Ser-ele-Mesmo, que é chamado de muitos nomes - Deus, Alá, etc. Diante disso, é nos apontado pelo menos um aspecto primordial do que faz a gente se auto perceber enquanto mágicos: a consciência (ser-consciente), mas para além disso, é posto em evidência a atenção à qual nossa consciência se lança, e que espera que algo aconteça, diante de um lógica já premeditada, mas a modificando tal como a queremos. Seria isto uma ilusão? Ou uma lógica outra, mais originária a qual nós mágicos estamos dispostos a lançar perante o mundo, modificando-o e o fazendo de um modo assistido, lúcido, sem atender demandas que não são íntimas ao nosso próprio ser.

Há um filósofo Alemão chamado Martin Heidegger que em busca da compreensão do Ser, acaba que por analisar o único ente capaz de interrogá-lo: o ser humano (o que em sua terminologia, chamou de Dasein - "ser-aí", "pre-sença"). Ele nos diz que o ser humano (o Dasein), pode ser próprio ou impróprio. Isto é, quando ele é próprio, está sendo si mesmo, e quando é impróprio não está sendo si-mesmo, mas sim ouvindo uma voz que não é a sua, mas o que o Heidegger chamou de "Das Mann" - "a-gente", que seria algo como o "senso comum", compreendido pelas ciências sociais. Ou mais precisamente a "voz do povão", diluindo a singularidade do indivíduo a um senso plural. Pois bem, é possível conceber o mágico como sendo um ser próprio que não mais atende a uma lógica imprópria que espera que tudo aconteça como já acontece? Mas que disposto pela posse de si-mesmo, escutando a própria voz, proporciona aos impróprios o que estes poderiam ser se estivessem tal como o mágico está? Por isso se daria o "encantamento" e a distinção entre mágicos e não-mágicos. Percebamos que os não-mágicos ficam encantados e boquiabertos como que "alguém" que não ele pode intervir na lógica já esperada - visto que isso é tudo que o impróprio conhece. O mágico alcançaria um grau outro existencial, de estar em um modo próprio do existir, que lança isso para o público na forma de "arte", mas que em seu sentido ontológico, metafísico, filosófico primeiro, tomou posse de si, e existe na natureza de forma a compreende-la pelo intervir, sendo o ser que é agente e não mero espectador, que apenas espera e atende vontades que não são as suas, pois age sobre a natureza que se entende como uma lógica já esperada ao qual os não-mágicos não conseguem escapar, pois por alguma razão, não deram ouvidos ao apelo da própria consciência que desperta a propriedade [mágica] em nós.
"Pensar sensatamente é a maior excelência; e a sabedoria consiste em dizer a verdade e em agir de acordo com a natureza ouvindo sua voz" Heráclito - Fr. 112.
Avatar do usuário
magicobleto
Normal User
Normal User
 
Mensagens: 96
Registrado em: 27/9/2008, 15:16
Localização: Recife-PE
Agradeceu: 23 vez(es)
Foi Agradecido: 5 vez(es)

Voltar para Papo Mágico

Quem está online

Usuários navegando neste fórum: Nenhum usuário registrado e 9 visitantes

cron