Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

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Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor T.A.A.S. » 30/6/2010, 23:20

Há muito tempo comecei as entrevistas. No início foi legal.
Depois fiquei um tempo sem entrar no fórum, o Maffeis e outros assumiram.
Agora volto com elas.
O entrevistado é um cara que admiro muito, um dos mais inteligentes do FMA na minha opinião.
Bem, as regras são essas:
viewtopic.php?f=48&t=16353
LEIAM


Já deixo minhas três primeiras perguntas, que eram padrões do Maffeis, mas volto com outras depois:
1- Sei que mágica é sempre uma fascinação pessoal, um sonho de infância, mas qual foi o seu maior motivo para começar a fazer mágica, aquele pontapé inicial?
2- Como se sente sendo entrevistado aqui?
3- Qual o seu maior sonho de vida já realizado?

Abraço, e vamo lá gente.
"PS: meu nick anterior era Tiago Angelo.

Vamos brindar o dia de hoje, o amanhã só pertence a Deus.
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Re: Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor DcMaster » 2/7/2010, 11:03

Grande Glass, bem vindo ao banquinho mágico, mas vamos as perguntas:

1 - Qual foi o momento mais mágico da sua vida ?
2 - Que mensagem você mandaria para o jovem Glass de 13 anos atrás ?
3 - E como você se vê na mágica daqui há 5 anos ?
"Qualquer tolo pode aprender com seu erro, mas apenas um sábio é capaz de aprender com o erro de outros."
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Re: Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor LeonardoGlass » 2/7/2010, 14:32

Buenas!

Fico feliz de ser indicado =). Vamos lá!

---

T.A.A.S.

1- Sei que mágica é sempre uma fascinação pessoal, um sonho de infância, mas qual foi o seu maior motivo para começar a fazer mágica, aquele pontapé inicial?

Sempre gostei de artes. Antes da mágica já havia passado por desenho, poesia e música. Cheguei até ter uma banda e gravar um CD pré-estúdio. Porém a vida acabou levando a banda a caminhos diferentes e desde entãos empre busquei uma arte substituta para a música.

Confesso que sempre me frustrou um pouco estar cercado de amigos músicos e não ter uma banda para tocar. Um dia, decidi procurar por alguma arte/hobby substituta à musica e acabei encontrando sem querer a mágica. Como era algo inédito entre meu círculo de amizades decidi encarar como um desafio e acabei me apaixonando por esta arte.

2- Como se sente sendo entrevistado aqui?

Confesso que é um pouco estranho, hehe. Acho que ninguém gosta muito de falar sobre si. Mas espero que esta entrevista seja um estímulo aos novos amantes da mágica e, por que não, um sopro de renovo a aos que vieram antes de mim.

3- Qual o seu maior sonho de vida já realizado?

Eu acho que foram dois: O primeiro foi "aprender" mágica. Poder olhar um mágico na TV e me sentir, ao menos um pouco, parte daquilo. O segundo foi quando conquistei a minha atual namorada. Foram dois anos e pouco "correndo atrás", hehe. e se fosse preciso, faria tudo outra vez.

---

DcMaster

1 - Qual foi o momento mais mágico da sua vida ?

Eu sou o tipo de pessoa que tenta ver a mágica nos pequenos detalhes da vida: Num pôr-do-sol, brincando com uma criança, enfim... Mas teve um momento que eu chamaria mais de "milagre" do que "mágico" que foi o dia em que sofri um acidente de trabalho que poderia ter me tirado a vida.

Estava medindo algumas toras de madeira, quando a pilah cedeu e duas delas me acertaram (cada tora pesava ao menos 500 Kg). A primeira me derrubou no chão. a segunda rolou por cima de mim (como massa de pizza). E para complicar estava em uma floretsa distante mais de 100 Km do hospital mais próximo.

Seja sorte, mágica ou milagre, o fato é que os exames acusaram apenas uma lesão muscular leve e alguns arranhões. Tanto foi a mágica ali que nem atestado o médico não me deu. No outro dia tive que ir trabalhar normalmente. Esse acho que foi um momento bastante "mágico" para mim, hehe.

2 - Que mensagem você mandaria para o jovem Glass de 13 anos atrás ?

Quando criança e adolescente eu era muito "biguá" (uma gíria gauchesca para "bobo", "ingênuo"). Então acho que os dois conselhos que daria seriam:

Não levar a vida tão a sério. Ninguém liga se você é o primeiro da classe ou não, se você come salada todos os dias ou não. as expectativas alheias são o nosso maior freio no caminho da felicidade.

Mantenha a cabeça erguida. Saiba lutar por aquilo que você quer e acredita. E se for para apanhar, ostente as feridas com orgulho.

3 - E como você se vê na mágica daqui há 5 anos ?

Como eu me vejo ainda hoje. Um estudante que quanto mais lê e estuda, mais percebe o quão insignificante e ignorante é dentro do universo da mágica. Mas se até la eu dominar as técnicas básicas de mentalismo e a Mnemonica do Tamariz, me darei por satisfeito.

---

Se mais alguém quiser perguntar estamos aí!

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Re: Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor emilio_tm » 2/7/2010, 21:57

Leonardo,

1° - Qual o grau de importânica da originalidade dentro da mágica ?
2° - Qual o sentido final, segundo você, de se fazer mágicas ?





abraços
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Re: Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor Felipe Barbieri » 3/7/2010, 01:48

Mas qué isso tchê? Um baita cara inteligente e talentoso desse aqui, pronto pra responder as perguntas da galera, e nada de movimento?

Não seja por isso Léo, tô aqui com você!

1-Você trabalha/pretende trabalhar profissionalmente com mágica? Já fez shows cobrando por isso?

2-Muitos não falam bem dos mágicos brasileiros, por outro lado temos grandes campeões como Eduardo Peres, Rafael Tubino, Baltresca e outros...qual posição você toma nessa discussão?

3-Imagine a seguinte situação:
Você faz uma mágica que não necessita de nenhuma habilidade manual do mágico, em que o aparelho faz tudo automaticamente, e uma pessoa te questiona querendo saber onde comprou aquele material. Você responde que comprou em uma loja de mágicas, e logo em seguida ela retruca, curiosa em saber se junto com o material vem o manual para executá-la. E ai, o que você diz?

a)Mente e diz que não vem com manual
b)Diz a verdade e conta que vem com um manual
c)Mente e diz que você que tem que se virar
d)Mente e diz que as lojas de mágicas não vendem pra qualquer um (eu faço isso)
e)Outro: Explique

:D

Vai lá Lééééo! abss
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Re: Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor LeonardoGlass » 3/7/2010, 04:23

Buenas!

Galera se puxando nas perguntas. Fico honrado.

E podem mandar mais =D

---

emilio_tm

1° - Qual o grau de importânica da originalidade dentro da mágica ?

Para mim a originalidade é o que separa uma obra de arte de uma obra de artesanato. Uma obra de arte é única e original, enquanto o artesanato é coletivo e reproduzível ad infinitum.

Nesse sentido creio que um grande número de mágicos não passam de artesãos, pois o que eles fazem não é arte e sim artesanato. Não que isso os coloque em um patamar inferior ao dos artistas, bem pelo contrário, o artesantao tem seu valor também. Porém este valor não reside na originalidade.

Assim, a originalidade é que, fundamentalmente, define um artista.

Um dia hei de falar mais sobre isso :wink:

2° - Qual o sentido final, segundo você, de se fazer mágicas ?

Não sou o tipo de pessoa que acredita em "finalidades", mas sim "processos", ou seja, pouco importa onde determinada caminho irá me levar, o importante é como eu chegarei lá. Nesse sentido, e pegando o gancho da pergunta anterior, eu diria que mais importante do que a finalidade com a qual se faz mágicas é o caminho que o mágico percorre. Seja o mágico um artista ou um artesão.

Pouco importa se o mágico almeja a fama da mídia, o reconhecimento de outros mágicos, "pagar de fodão" no seu círculo de amizades ou simplesmente o prazer e a satisfção pessoal. Seja qual for a razão de fazer mágica, é preciso que o mágico se comporte como um mágico. Que durante seu caminho aprenda os valores de humildade, honestidade, boa convivência, etc. Que ele seja uma pessoa melhor.

O mágico que não se tornar uma pessoa melhor com o tempo, esteja ele onde estiver - mídia, quintal de casa ou julgando um FISM - falhou como um mágico.

Particularmente, minha meta como mágico, é ter um hobby "artístico", por pura satisfação pessoal mesmo. E também para manter o cérebro ativo e assim tentar prevenir o Alzheimer :roll: . Mas acima de tudo quero que a mágica me ensine esses valores.

---

Felipe Barbieri

Primeiro muito obrigado pelo elogio!

1-Você trabalha/pretende trabalhar profissionalmente com mágica? Já fez shows cobrando por isso?

Quando comecei não tinha por objetivo misturar mágica com dinheiro. E mesmo hoje não almejo misturar mágica com dinheiro. Como disse acima faço mágica por pura satisfação pessoal.

Gosto de ter a mágica por hobby e não gostaria que a mágica se tornasse uma obrigação na minha vida. Mas confesso que já me ocorreu de tentar fazer desse hobby uma profissão. Não vou dizer que "nunca farei apresentações por dinheiro", mas esse dia ainda está longe.

2-Muitos não falam bem dos mágicos brasileiros, por outro lado temos grandes campeões como Eduardo Peres, Rafael Tubino, Baltresca e outros...qual posição você toma nessa discussão?

Bom, eu acho que o principal problema do mágico brasileiro é a falta de uma identidade própria. Somos experts nas novidades do mercado mundial de mágica, dos grandes dealers e empresas de produtos mágicos, e esquecemos da nossa raíz tupiniquim.

E essa falta de identidade própria, nos faz rechaçar de pronto tudo que não é "made in USA". Música, comida, roupas, mágica, filmes... Tudo que vem de lá é, por definição, melhor do que o que temos aqui.

Uma faculdade aqui do Rio Grande do Sul que uma época usou o seguinte slogan: "Pés na região, olhos no mundo". Acho que esse deveria ser o mote dos mágicos brasileiro. Manter sim os olhos nas novidades, em tudo o que acontece lá fora, mas também lembrar que nossas raízes, nossos pés estão aqui. É triste - e ao mesmo tempo irônico - um mágico brasileiro ter que ir à Las Vegas, Londres ou Nova York para ter um nome forte no mercado nacional.

Deveríamos trabalhar nesse sentido: A construção de uma identidade própria a nível nacional. Termos mais orgulho de nossas raízes e também nos dedicarmos mais a conhecer o que se tem feito na mágica aqui no Brasil. em suma: acho que nos falta um bom tanto de vergonha na cara.

E como criar essa identidade própria? Oxalá eu tivesse uma resposta pronta. Independente disse, esse é um desafio que eu acho que nós mágicos PRECISAMOS começar a encarar e trabalhar em cima disso.

3-Imagine a seguinte situação:
Você faz uma mágica que não necessita de nenhuma habilidade manual do mágico, em que o aparelho faz tudo automaticamente, e uma pessoa te questiona querendo saber onde comprou aquele material. Você responde que comprou em uma loja de mágicas, e logo em seguida ela retruca, curiosa em saber se junto com o material vem o manual para executá-la. E ai, o que você diz?

a)Mente e diz que não vem com manual
b)Diz a verdade e conta que vem com um manual
c)Mente e diz que você que tem que se virar
d)Mente e diz que as lojas de mágicas não vendem pra qualquer um (eu faço isso)
e)Outro: Explique


Rapaz... Olha, eu creio que ficaria com a segunda opção. Diria que no custo de uma mágica está embutido o preço do segredo e que por isso ele precisa e deve ser valorizado. Porém faria uma ressalva bem grande ao curioso. Diria que a mágica não está no aparelho, nem no botão, mas sim no mágico. Tentaria explicar (ou até ensinar, dependendo do caso) que a mágica deve acontecer apesar do aparelho.

Isso me lembrou uma vez onde um amigo me perguntou: "Existe mesmo mágica, o é tudo habilidade manual?". Respondi que sim, existe mágica. Mas ela está na postura, na voz, no comportamento do mágico. Por isso algumas apresentações são tão memoráveis. Que por mais que você observe e descubra os movimentos, ainda assim houve mágica.

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Re: Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor mmiklos » 4/7/2010, 13:14

Inicialmente gostaria de ratificar minha admiração pelo Leonardo. Vejo como um grande potencial num mundo sem tantos holofotes, que é a opção que escolhemos para o Fórum de encaminhar pessoas leigas e não-leigas pelo mundo da mágico, dentro de conceitos técnicos, éticos e artísticos. Sua forma incansável de atuar na orientação é um incentivo aos demais.

Vamos às perguntas.

1) Gostaria de saber como era sua visão da mágica ao entrar no FMA e como se apresenta hoje. Quais as principais mudanças e qual a origem das mesmas.

2) Sou consciente e defensor da base teórica, mas também sei que um mágico somente se forma com a prática, que é insubstituível. E mais, com os erros, há muito que se aprender. Assim, pegunto: Qual o momento em que um iniciante deve se colocar em campo, sob que público e circunstâncias, visto que é certo que não sairá nada muito bom nas primeiras vezes...

3) A cartomagia é praticada pela grande massa, entre outros fatores, devido a sua portabilidade e custo. Isso acaba tornando os mágicos um tanto iguais na cabeça do leigo, que nem se lembra das mágicas, mas apenas, que o mágico fez números com cartas... A pergunta é: Como ser diferente fazendo cartomagia, e que outras possibilidades mágicas podem ser utilizadas por quem começa, de modo conjunto ou separado ?



Felicidades

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Re: Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor Gleidson silva » 4/7/2010, 19:44

Ôpa tenho as minhas perguntas.


1- Você diria com toda a certeza ???... "não vivo sem a mágica em minha vida".
2- O que mais te encanta na arte?
3- Hoje com a globalização e a grande facilidade em acesso a mídia e internet e o futuro tecnológico, vemos uma grande mudança no estilo mágico: Você acredita que a mágica irá se tornar mecânica (as melhores mágicas dependerão de técnologia) ???.
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Re: Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor Ricardo C. » 4/7/2010, 20:05

LeonardoGlass,

1- Como você vê mágica para leigos e mágica para mágicos?
2- Qual área da mágica você mais gosta de apresentar e qual mais gosta de assistir?
3- O que é mais importante para você: tecnica impecável ou uma ótima presença(postura, fala e figurino)?

Depois eu volto mais inspirado.. hehe

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Re: Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor LeonardoGlass » 4/7/2010, 21:49

mmiklos

Obrigado pelas belas palavras.

1) Gostaria de saber como era sua visão da mágica ao entrar no FMA e como se apresenta hoje. Quais as principais mudanças e qual a origem das mesmas.

Eu gosto muito de ler meus posts antigos e ver a evolução através das postagens. As fases, os momentos, os conceitos, enfim. Acho que a principal diferença foi o entendimento do conceito de "rotina". Na minha primeira postagem (exceto pela seção "Bem-Vindo), eu buscava dicas de como montar uma rotina de palco engraçada. Eu tinha esse necessidade de querer fazer os outros rirem.

Com o tempo percebi que que melhor do que gastar muitos reais comprando mágicas, é trabalhar em um bom roteiro e se dedicar a conhecer e se conectar com seu público. É buscar o assombro do público acima do reconhecimento como mágico, e que nem só de risos se faz um bom mágico (méritos para René Lavand).

Essa acho que foi a principal mudança. Eu deixei de querer ser alguém forçadamente "divertido", para me tornar um alguém "agradável" (embora, às vezes, tenha meus momentos "chatos", hehe).

2) Sou consciente e defensor da base teórica, mas também sei que um mágico somente se forma com a prática, que é insubstituível. E mais, com os erros, há muito que se aprender. Assim, pegunto: Qual o momento em que um iniciante deve se colocar em campo, sob que público e circunstâncias, visto que é certo que não sairá nada muito bom nas primeiras vezes...

Não creio que haja um momento exato. Isso varia de mágico para mágico e de mágica para mágica. No meu caso, recém agora, após um ano de estudos, estou executando as primeiras apresentações fora do público de conforto (o binômio família / namorada).

Então, ao invés de dizer "quando executar", acho mais sensato dizer "quando não executar uma mágica": Se você está inseguro; se você ainda não tem um roteiro ESCRITO (e não apenas na mente) e se você não se filmou pelo menos 6 vezes executando o número, eu acho que ainda não é hora de se apresentar.

3) A cartomagia é praticada pela grande massa, entre outros fatores, devido a sua portabilidade e custo. Isso acaba tornando os mágicos um tanto iguais na cabeça do leigo, que nem se lembra das mágicas, mas apenas, que o mágico fez números com cartas... A pergunta é: Como ser diferente fazendo cartomagia, e que outras possibilidades mágicas podem ser utilizadas por quem começa, de modo conjunto ou separado ?

Essa é a questão que falei em uma pergunta anterior sobre arte x artesanato. A maioria dos mágicos, e em especial os cartomágicos, fazem não mais do que um artesanato: uma obra repetida, coletiva e efêmera. Não há reflexões, assinaturas e nem porquês.

Assim, eu creio que só o estudo da teoria seria capaz de tornar uma obra única. Tempos atrás, conversando com uma professora de artes de uma faculdade da Argentina, ela me disse o seguinte, sobre a importância do estudo téorico: "A técnica está aí, pronta para quem quiser. Lê-se um livro que ensina a pintar e pronto. Mas a teoria é mutável. E é ela que vai te levar a pensar e refletir sobre o que te cerca. Ela é uma linha guia que vai te levar a questionar: 'Por que?' ". E eu vou um passo além: É só pelo estudo da teoria que seremos capaz de imprimir nossa assinatura, convertendo assim nosso artesanato em arte.

Mas e o que seria essa "teoria"? Acho que tudo o que pode nos levar a refletir e a somar em nossa arte: história da arte, música, biografias, literatura, filosofia, psicologia, teatro e até áreas mais heterodoxas como enologia, numismática, filatelia, computação, webdesign, etc.

O ser humano é uma soma de experiências e sensações. Quanto mais conteúdo tiver, melhor será a mistura e mais harmonioso serão seus atos.

Quanto às razões da cartomagia ser tão popular, parafraseio René Lavand que disse: "La baraja és como una mujer: misteriosa e indomable. És la poesia de la magía".

---

Gleidson silva

1- Você diria com toda a certeza ???... "não vivo sem a mágica em minha vida".

Surpreendentemente eu não diria isso. Mas com certeza eu diria: "Não vivo sem a arte em minha vida". Seja mágica, pintura, poesia ou música... Sou um apaixonado por artes.

Agora, sobre mágica, com certeza eu diria: "Será a última coisa que abandonarei na vida".

2- O que mais te encanta na arte?

O fato dela nos refletir e nos fazer refletir. Esse papel que a arte tem de questionar paradigmas, e ao mesmo tempo de encantar.

Estava há poucos instantes lendo um trecho de um texto de Hermann Hesse esse onde ele questiona o conceito de democracia. Quem mais teria essa alforria de questionar uma instituição como a democracia, senão a arte.

E é por este poder que me encata a arte. POis ao questionar, mudamos (ocmo disse em outra pergunta, sou uma pessoa de "processos" e não de "finalidades"). Ainda que questionar a democracia não mude nada em nossas vidas, nem no mundo, o simples fato de questionarmos e refletirmos nos transforma e nos sensibiliza. E é essa a principal virtude da arte.

3- Hoje com a globalização e a grande facilidade em acesso a mídia e internet e o futuro tecnológico, vemos uma grande mudança no estilo mágico: Você acredita que a mágica irá se tornar mecânica (as melhores mágicas dependerão de técnologia) ???.

Acho que mágicas eletrônicas, holográficas, robóticas e afins tornar-se-ão inevitáveis. Mas o fator decisivo para a boa mágica ainda será o fator humano.

Fazendo uma analogia com jogos eletrônicos, não há ocmo parara a indústria dos games: PES, Fifa, Halo, Crysis, etc... jogos cada vez mais realistas e que demandam cada vez mais per[icia e habilidade do jogador. por outro lado, quem nunca perdeu o horário jogando aqueles "estúpidos jogos em flash" onde utiliza-se apenas um boão?

Ou seja, o fator "diversão" independe da quantidade de $$ investido; está mais vinculado á criatividade e a concepção do jogo. Da mesma forma na mágica penso que a principal e mais importante variável continuará sendo o fator humano.

No maias, lá se vão 4.000 desde os primeiras mágicas e elas continuam sempre atuais. Seria pretensão nossa achar que a tecnólogia irá matar a magica clássica. Quando muito dará uma nova roupagem a ela. E assim, se reinventando, a mágica seguirá sempre atual.

---

Ricardo C.

1- Como você vê mágica para leigos e mágica para mágicos?

Não sei se concordo muito com essa divisão. Vejo que muitas vezes isso é usado como desculpa para "mágica medíocre". Existem públicos alvos, mas em tese, todos deveriam ser leigos perante a mágica executada. Se alguém há na plateia, que tem conhecimento do processo todo (exceto diretores, confidentes, enfim...), então é por que o mágico está falhando em algum ponto.

Slydini quando executava sua "mágica para mágicos", penso que tinha por intuito colocar os mágicos "no seu devido lugar": Como espectadores assombrados com o que viam no palco. talvez por isso ele seja um gênio, e mais do que isso, uma exceção no estudo das artes mágicas (palavras de Ortiz, não minhas).

2- Qual área da mágica você mais gosta de apresentar e qual mais gosta de assistir?

Apresentar, por ora só cartomagia. È a única área que eu tenho alguns números e rotinas prontos e ensaiados.

Quanto a assitir, gosto de toda qualquer apresentação que tenha um bom enredo e que faça sentido. E se me surpreender no final, aí é ponto extra. Não sou o tipo de pessoa que se obriga a olhar mágica ruim, apenas por que seu executor é uma pessoa de renome. E espero que ninguém se incuta nesse erro.

3- O que é mais importante para você: tecnica impecável ou uma ótima presença(postura, fala e figurino)?

O que é melhor: uma ferrari sem motor, ou um corcel envenado? Penso que a beleza é o perfeito equilíbrio entre forma e conteúdo. Beleza sem técnica não te leva a lugar algum; motor potente sem conforto torna a viagem massante e cansativa antes dos primeiros 5 minutos.

Mas fugindo um pouco do óbvio da resposta, se tivesse que escolher apenas um dos dois elementos, diria que o melhor é ter uma técnica impecável. Nesse caso não há exposição de segredos, além do fato de que nem todos almejam apresentar suas mágicas por aí.

---

Espero ter me saído bem nas respostas.

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Re: Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor Ricardo C. » 4/7/2010, 23:52

Como você vê a pirataria(de todos os tipos) no mundo atual e no mundo da mágica? Você já baixou livros, de mágica ou não, em pdf?
Como você acha que esta o FMA atualmente quanto ao que já foi, que pode ser e público, equipe e conteúdo?
O que você considera exposure? É prejudicial a arte mágica? E casos como de Pen & Teller?


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Re: Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor emilio_tm » 5/7/2010, 17:58

Leonardo...

- Eu acredito que, dentro de um efeito, a única coisa que importa p/ se decidir se ele é bom ou não é a "realidade externa", ou seja, tudo o que dele transparece: as falas, a construção e a ausência de técnicas.

Você acredita que, assim como disse Ortiz, os mágicos tem uma visão deturpada da qualidade dos efeitos, quando ficamos loucos com passes novos, variações, métodos "diabólicos", mesmo que eles sejam inferiores aos passes/efeitos/métodos já existentes ?



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Re: Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor LeonardoGlass » 11/7/2010, 03:05

Bom, pela quarta vez, vamos lá!

Ricardo C.

Como você vê a pirataria(de todos os tipos) no mundo atual e no mundo da mágica? Você já baixou livros, de mágica ou não, em pdf?

Eu acho complicado colocar todos os tipos de pirataria dentro de um mesmo saco. São coisas bem distintas você ver Doug Henning em seu especial "The Magic Show" via Youtube e você comprar um tênis da "mike" no camelô perto da sua casa. No primeiro caso você está tendo acesso a uma informação que não seria possível de nenhum outro modo; no outro você está claramente financiando traficantes internacionais.

Acho que as mídias virtuais chegaram para ficar; o paradigma já está estabelecido. E ao contrário do que possa parecer, o problema não é o "pagar" pela mídia virtual, mas pagar um valor justo pela informção. Exemplo: Ninguém mais acha justo pagar 30 reais em um CD com 10 ou 12 músicas. Isso não existe mais. E as empresas de entretenimento precisam entrar nesse novo paradigma.

A indústria de jogos, já se apercebeu disso. e não foi à toa que foi o setor de entretenimento mais lucrativo de 2009, mesmo com toda a pirataria. Muitas empresas já disponibilizam seus títulos em mídia virtual, ou então vendem apenas o número de série do jogo. O preço chega a ser 70% menor do que comprar o jogo na caixa. A própria Apple ganhou muito dinheiro pelo iTunes. Ou seja, as pessoas estão dispostas a pagar pela informação. Desde que seja um valor justo. (Já vi um CD com 12 músicas sendo vendido no Brasil a R$ 89,90, apenas por que era o lançamento da moda).

O setor de mágica precisa começar a pensar nesses novos conceitos. Sei que a theory11 já vende pequenas vídeo-aulas em formato digital. Acho que é um bom começo, mas não deve parar por aí.

Como você acha que esta o FMA atualmente quanto ao que já foi, que pode ser e público, equipe e conteúdo?

Bom, semana que vem (dia 14) completo 1 ano de FMA. Então só posso dizer do que vi nesse um ano, e pra mim pouca coisa mudou nesse tempo. Aliás, em 4.000 anos de história da humanidade, pouca coisa mudou.

O FMA poderia ser melhor do que é? Com certeza. E se não é o culpado está diante do espelho.

O que você considera exposure? É prejudicial a arte mágica? E casos como de Pen & Teller?

Gosto de comparar o exposure ao final de um filme. Quando alguém lhe conta o final de um filme, todo o filme acaba perdendo a graça, e você pode acabar nunca mais olhando o filme (eu por exemplo, até hoje não olhei "Sexto Sentido" por causa disso). Por outro alguns filmes tem um roteiro tão bom, diálogos, fotografia, atuações tão belas e impressionante, que o final acaba sendo um mero detalhe dentro do todo. Isso quer dizer que podemos contar o final do filme nesses casos? De modo algum. Ainda que o final não influa no todo, não temos o direito de estragar a ilusão de quem quer que seja.

Não acho que seja prejudicial a arte em si. Acho que o maior prejudicado são so próprios especatdores que acabam perdendo a capacidade de sonhar. Nós sabemos que 99% dos segredos são bobos, beiram o ridículo. E vejo que a maioria dos espectadores se sentem enganados quando descobrem um segredo. Acho que eles são os maiores prejudicados com o exposure.

O caos de Pen & Teller, repetirei o que disse em outro tópico: "Eles nunca usaram o exposure como alavanca para o sucesso. Antes, se valem da desconstrução como ferramenta para a reflexão". Isso quer dizer que eles estão certos revelando segredos? imaginemos o Mágico Tião lá do inteiror de Quixadá que executa a rotina clássica de Cups & Balls. E um dia alguém vê a revelação do P & T e desmascara o Mágico Tião. Pergunto: Quem pagará a conta para o Tião? Pen & Teller? Duvido...

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1° - Eu acredito que, dentro de um efeito, a única coisa que importa p/ se decidir se ele é bom ou não é a "realidade externa", ou seja, tudo o que dele transparece: as falas, a construção e a ausência de técnicas.

Você acredita que, assim como disse Ortiz, os mágicos tem uma visão deturpada da qualidade dos efeitos, quando ficamos loucos com passes novos, variações, métodos "diabólicos", mesmo que eles sejam inferiores aos passes/efeitos/métodos já existentes ?


Eu concordo com o Ortiz. Se há um movimento á pronto, muito mais limpo, eficaz e bem menos suspeito, não vejo necessidade alguma de se criar um novo movimento. Exceto, é claro, se esse movimento fizer parte dentro de um contexto de uma rotina, ous eja, se essa "sujeira" for justificada pelo enredo, ou o que seja.

Eu acho queessa mania de criar movimentos próprios nasce do ensejo dos mágicos de imprimirem sua assinatura pessoal em suas rotinas; de fazerem algo único e mais do que isso, criado por eles mesmo. Nesse sentido eu até vejo isso como uma coisa boa, pois além de estímular a criatividade, demanda uma série de estudos teóricos e técnicos que só fazem bem ao mágico.

Mas mesmo assim, o uso de tais movimentos, na minha opinião, só é compreensível e justificado dentro de um determinado contexto.

(PS: A resposta anteiror tinha ficado melhor, né não? :roll: )

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Se alguém tiver mais perguntas, pode mandar! =)

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Re: Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor emilio_tm » 11/7/2010, 21:17

(valeu por responder a mensagem anterior de novo)

Bem,

acho que, com a grande difusão da mágica nos últimos anos, e o aumento do número de praticantes que a levam a sério, se criaram vários estilos e "ramificações" dessa prática.

No 1° livro do Ascanio ele esclarece bem o ponto de vista dele quanto à "definiçao de mágica".

La "magia-magia":

"...Es decir, cuando el espectador piensa: aquí hay algo que no puede ser, algo que no comprendo, hay algo misterioso; cuando vibra el aleteo del misterio, es cuando se produce el efecto verdaderamente mágico."

La "pseudo-magia":

"La pseudo-magia persigue, sin conseguirlo, un resultado misterioso, y a veces ni siquiera persigue el mistero. Es la magia de la humorada, las exhibiciones de habilidad, las fantasías archisabidas, la física recreativa o, como dice Marré, las 'cosas curiosas'..."

Assisti recentemente a um DVD, de um show de mágica que aconteceu na Itália, em que os apresentadores (dois mágicos profissionais) e muitos dos que se apresentaram, faziam apenas sátiras, piadas irônicas... de fato, sem perseguir mistério algum.

Vejo que hoje em dia "vale de tudo"; tudo que o Ascanio havia dito: demonstrações de habilidade, apresentações deixando a mágica em 2° plano, entre outras coisas ainda piores.


- Acredito que isso seja natural já que, temos o direito de construir nossos própios estilos, mas será que é saudável para a nossa arte ?

- Todos esses novos estilos devem/merecem ser chamados também de mágica ?

- Até que ponto a nossa própria "definição de mágica" e as nomenclaturas que usamos afetam esse "grande TODO" ?


abraços
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Re: Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor LeonardoGlass » 13/7/2010, 01:25

emílio_tm

Permita-me que eu tente responder as tuas três perguntas de uma única vez:

1° - Acredito que isso seja natural já que, temos o direito de construir nossos própios estilos, mas será que é saudável para a nossa arte ?

2° - Todos esses novos estilos devem/merecem ser chamados também de mágica ?

3° - Até que ponto a nossa própria "definição de mágica" e as nomenclaturas que usamos afetam esse "grande TODO" ?


OBS: A esse TODO, chamaremos Arte, com "A" maiúsculo.

Bom, a questão aqui, ao meu ver, é a de miopia. Se olharamos apenas para nosso próprio umbigo mágico, veremos tais criações estilísticas como uma afronta, quiçá até uma heresia. Porém, ao ampliarmos nosso campo de visão, descobrimos que o primordial não é a "nossa arte", mas sim a Arte.

A mágica é apenas uma das formas com que a Arte se manifesta. Devemos primar sim pela Arte de qualidade, seja esta na forma que for. Se um mágico deixa a sua mágica em segundo plano, porém faz um bom trabalho como humorista, satirista, músico,... não devemos nos alegrar e valorizá-lo pelo seu bom trabalho? E se não pudermos chamar isso de mágica, podemos chamar com toda a certeza de Arte. E isso é muito maior do que ser meramente mágica.

As vezes vejo que nós mágicos somos pretensiosos demais. Primeiro que chamamos a mágica de "rainha das artes"; segundo que colocamos a mágica em um patamar similar à Arte, quando na verdade é mágica é apenas uma "arte". E isso mostra como somos míopes, por não conseguirmos enxergar todo o grande universo que há por trás da mágica. E mais do que isso, não enxergamos que em primeiro lugar vem sempre a Arte.

Quem me ajudou a entender esse conceito de miopia foi este texto de Theodore Livitt que recomendo fortemente: http://www.tioflavio.com/userfiles/Miop ... keting.pdf

Resumindo: O público, em geral, NÃO quer ver mágica. Ele quer Arte. E para isso vai atrás de artes que lhe propicie entretenimento mas também reflexão e extase. A mágica é apenas um meio para se obter isso. Se houver outra forma mais eficaz de arte que atenda os anseios do público, é para lá que ele vai. Então, por que não irmos nós também? Afinal, "diz o poeta: O Artista vai onde o povo está".

Espero ter me feito entender. Havia mais coisas que eu queria escrever, mas confesos que meu cérebro começou a dar nó :S Assim que conseguir desfazer o nó, posto mais alguma coisa.
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Re: Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor emilio_tm » 13/7/2010, 18:51

Leonardo Glass, entendo seu ponto de vista.

Concordo que às vezes comparamos, de forma errada, "arte" à "Arte"; que às vezes somos pretenciosos; e que o público quer ver uma "Arte" que o agrade, e não especificamente a mágica.

Grande parte da minha dúvida foi esclarecida.


Porém...

se um artista denomina sua prática como "mágica", um espectador, ao vê-lo, vai associar a apresentação vista ao conceito de "mágica" dentro de sua cabeça. Isso não o influenciaria a mudar sua opinião quanto à "mágica" e o olhar (prévio) sobre apresentações de outros mágicos ?

No exemplo que eu havia citado (do DVD que assisti), o nome do show era "Masters of Magic", no entanto, muito do que eu vi definitivamente não era mágica (até aquele cara, que engole um monte de coisas, estava presente).
Caso as pessoas que assitiram ao show, não tivessem gostado, isso não acabaria prejudicando (indiretamente) outros mágicos ?

Entendo que, como você disse, as pessoas estão atrás de "Arte". Se elas gostarem do meu show, mesmo que ele se denomine "de malabarismo", ótimo (acho malabarismo muito legal).

(1°-) Mas, será que essa "idéia prévia" de uma "arte" não levaria uma pessoa a julgar, de forma errada, uma apresentação que ela ainda nem assistiu ? Ou ainda, nem ir assistir uma apresentação por causa do conceito errado que ela tem na sua cabeça ?


Um exemplo besta: Não gosto de sertanejo por causa das duplas que ouvi até agora que se demoninam "sertanejas". Mas, se houvesse um show de uma dupla que fizesse uma música legal, porém se denominasse sertaneja, provavelmente eu não iria assisti-los.


Por isso, (2°-) será que não é prejudicial que pessoas se denominem "mágicos", mesmo praticando ago bem diferente do que nós praticamos ?


(Acabei repetindo muitas vezes a mesma coisa ?)
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Re: Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor T.A.A.S. » 21/7/2010, 13:30

Léo, mais 3:
Qual seu maior (maiores) sonho (sonhos) de vida que ainda quer realizar?
Acha que o mundo acaba em 2012? Porquê?
O que você pensa quando lê a frase: "A juventude de hoje está perdida" ?


Abraços.
"PS: meu nick anterior era Tiago Angelo.

Vamos brindar o dia de hoje, o amanhã só pertence a Deus.
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Re: Entrevista FMA#25 - Leonardo Glass

Mensagempor LeonardoGlass » 25/7/2010, 17:05

emílio_tm

Primerio, desculpe a demora. Estava esperando para ver se vinham mais perguntas e, confesso, acabei esquecendo por uns dias desse tópico.

Vamos ao que interessa:

1° Mas, será que essa "idéia prévia" de uma "arte" não levaria uma pessoa a julgar, de forma errada, uma apresentação que ela ainda nem assistiu ? Ou ainda, nem ir assistir uma apresentação por causa do conceito errado que ela tem na sua cabeça ?

Postei agora a pouco um texto do Vicente Canuto onde ele fal que uma apresnetação é uma mão de duas vias, onde o atista deve sim levar em conta a capacidade intelectual do público, sua cultura, contexto e modo de percepção das coisas.

Claro que muitos podem julgar de forma errada algo; fazemos isso o tempo todo. MAs que boa surpresa é imaginar um show ruim e ver um "Doug Henning" no palco. por outro lado, cuidado para não prometer um David Copperfiled e seu show for um "Criss Angel".

2° Será que não é prejudicial que pessoas se denominem "mágicos", mesmo praticando ago bem diferente do que nós praticamos ?

Assim como é prejudicial para a música "Latino" se denominar cantor, "Mulher Melancia" se denominar modelo e "Fiuk" se denominar ator. O problema é que somos puristas demais. Não queremos artistas medíocres fazendo sucesso, sendo que o conceito de sucesso é relativo e, infelizmente, não está vinculado à qualidade técnica.

É o mal do nosso zeitgeist e precisamos aprender a conviver com isso, o que não significa concordar, tampouco suportar (dar suporte) ou ser conivente com os maus-artistas.

Acho que consegui responder, certo?

---

T.A.A.S.

1. Qual seu maior (maiores) sonho (sonhos) de vida que ainda quer realizar?

Casar, ter filhos, ter minha casinha aconchegante... Enfim, ter a minha "vidinha mais ou menos". Se conseguir isso já serei uma pessoa plenamente feliz. O que vier além disso (participar de um FISM, escalar o Everest,...) será só para me dar mais alegrias ainda. Mas não morreri deprimido se esses "brindes" nunca chegarem.

2. Acha que o mundo acaba em 2012? Porquê?

Não. O mundo já quase acabou tantas vezes e continua aí rodando, com suas belezas e suas mazelas. 2012 será apenas mais um "viral da internet". No mais, quero ver a copa do mundo no Beira-Rio em 2014 (ta aí, complemnetando a pergunta anterior, este também é um "brinde a mais" hehe :P ).

3. O que você pensa quando lê a frase: "A juventude de hoje está perdida" ?

Essa vou responder com algumas citações:

O adolescente considera tudo o que é mais antigo do que ele como arcaico e obsoleto. Ao passo que tudo seu é novo, criativo, algo que sem dúvida dará certo. Essa praga só pensa em sexo e contestação - Inscrição anônima, feita há cerca de 4000 anos numa placa da Mesopotâmia.


Nosso mundo atinge um estado crítico. As crianças não escutam mais seus pais. O fim do mundo não pode estar longe.” - Sacerdote egípcio, 2000 anos a.C.


Essa juventude é corrompida em sua essência. Os jovens são maldosos e preguiçosos. Jamais como a juventude de antigamente. Estes, de hoje, nunca serão capazes de manter nossa cultura.” - Inscrição achada em uma cerâmica da Babilônia, 1000 anos a.C.


Os jovens de hoje rebelam-se contra a autoridade e nõ respeitam os mais velhos. Contradizem seus pais, cruzam as pernas e tiranizam seus mestres.” - Sócrates 470 a .C.


E eu digo: Glórias a Deus pelos jovens! =)

Amplexos!

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PS: Acho que ninguém mais vai perguntar nada. Qual é o protocolo agora?
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